Desmatamento avança e Amazônia emite mais carbono do que absorve

Uma área de 926 km² da Floresta Amazônica foi desmatada em junho (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Novos estudos e levantamentos mostram efeitos do desmatamento

Novos dados e pesquisas relacionadas ao desmatamento no Brasil, especialmente na Amazônia, apontam para cenários cada vez mais preocupantes. Neste mês, uma pesquisa publicada na revista Nature mostrou que a Amazônia está emitindo mais carbono do que absorvendo. Esse fenômeno é resultado direto do desmatamento, entre outros fatores. O desmatamento, inclusive, segue em alta. Apenas em junho, a Amazônia perdeu uma área de 926 km².

Carbono

Uma das principais funções da Amazônia é a capacidade de armazenar carbono. No entanto, com o desmatamento, a degradação florestal e a ocorrência de estiagens mais fortes, que deixam a floresta mais seca e vulnerável ao fogo, a Amazônia está emitindo mais carbono do que absorvendo, conforme o ClimaInfo.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a partir de dados coletados ao longo de nove anos. Isso permitiu a conclusão de que as áreas com mais de 30% de desmatamento apresentaram emissões de carbono dez vezes maiores do que regiões com desmatamento inferior a 20%. As áreas mais desmatadas também são os locais que registraram estações secas mais fortes e prolongadas. “Nos meses de agosto, setembro e outubro, a temperatura média subiu 2°C e a chuva teve redução de 35%”, afirma o ClimaInfo, conforme o estudo.

Objetivamente, as queimadas causaram a emissão de mais de 1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente por ano. Considerando o saldo final entre absorções e emissões, apenas 18% das emissões por queimadas estão sendo absorvidas pela própria floresta. “A Amazônia deixou de retirar 0,19 bilhão de toneladas de CO2 equivalente por ano da atmosfera”, conclui o estudo, de acordo com a ClimaInfo.

Desmatamento

A atualização de julho do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)mostra que a Amazônia perdeu  uma área de floresta de 926 km². Esse território é quase três vezes maior do que a cidade de Fortaleza. O território desmatado em junho é o terceiro maior em 10 anos .

 No acumulado dos últimos 11 meses, de agosto de 2020 até junho de 2021, o desmatamento chegou a 8.381 km². O número representa um aumento de 51% em relação ao mesmo período entre 2019 e 2020. O estudo ainda aponta que o calendário do desmatamento deve fechar em alta em julho.

“As áreas desmatadas em março, abril e maio foram as maiores dos últimos 10 anos para cada mês. E, se analisarmos apenas o acumulado em 2021, o desmatamento também é o pior da última década”, comenta o pesquisador do Imazon Antônio Fonseca.

Proibição

Desde 29 de junho, a “queima controlada” está proibida no Brasil. A medida tem duração de 120 dias e ocorre no início do período de seca e aumento de queimadas. A proibição tem exceções, dispostas em decreto.

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