Economia Circular: da teoria à prática

Os recursos naturais finitos são uma das causas para a importância da economia circular (Joshua Rawson-Harris / Unsplash)

Modelo busca aproveitar melhor recursos naturais e reduzir desperdícios

A economia atualmente se baseia em um modelo linear: extração de matéria-prima, transformação, uso e descarte de resíduos. No entanto, os recursos naturais são finitos e o descarte tem consequências para o meio ambiente. É nesse contexto que surge o conceito de Economia Circular. O modelo é uma alternativa sustentável e economicamente interessante.

A Economia Circular, em primeiro lugar, busca aproveitar melhor os recursos naturais, dependendo menos de matéria-prima virgem. A ideia é evitar  desperdícios e descartes, “priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis”, segundo o Portal da Indústria. Para isso, os produtos e materiais devem ser planejados para ser melhor aproveitados e não formar resíduos, sendo ecologicamente eficientes.

“Nesse tipo de economia a energia e matéria utilizadas nas atividades devem recircular de forma a minimizar a geração de resíduos”, resume a cartilha Economia Circular: Caminho Estratégico Para A Indústria Brasileira da Confederação Nacional Da Indústria (CNI). A  recirculação inclui processos para reaproveitar os materiais, existindo uma prioridade para que seja reduzida a perda de valor de produto:  manutenção, reuso, remanufatura e reciclagem, conforme a cartilha.

Além do planejamento dos produtos, outros princípios da economia circular são a produção, distribuição, utilização e eliminação. Eles incluem produção mais limpa, com menos substâncias tóxicas, serviços de logística para partilha de redes de distribuição, melhoria da eficiência energética, maximização da vida útil do produto e otimização da reparação e reutilização. Já a eliminação se trata da reentrada no ciclo, justamente com as práticas de retoma, reuso, remanufatura ou reciclagem. Esses processos são detalhados no site eco.nomia do governo de Portugal, que incentiva a economia circular.

Desenvolvimento

Além da sustentabilidade, esse modelo se destaca por reduzir  custos e perdas produtivas e criar novas fontes de receitas. Além de proporcionar  o surgimento de novas oportunidades de trabalho e negócios. Outras vantagens para as empresas é o menor custo com destinação de resíduos, atração de consumidores conscientes, possibilidades de financiamentos e atingir novos mercados .

Entre os possíveis modelos de negócios, elencados pela cartilha da CNI, está a Recuperação de recursos, Produto como serviço, Compartilhamento, Insumos circulares, Extensão da vida do produto e Virtualização. Eles são potencializados pelas tecnologias, como o compartilhamento que se baseia em disponibilizar um produto para outras pessoas por determinado valor, e a virtualização, que trata da oferta de produtos e serviços online.

Na prática

A Economia Circular já é uma realidade em muitas empresas. No Brasil,  76,5% das indústrias desenvolvem alguma iniciativa de economia circular, de acordo com pesquisa da CNI. As principais práticas são a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%). No entanto, a  maior parte das indústrias não sabe que as ações se enquadram no conceito de Economia Circular.

Alguns exemplos da economia circular na prática são produtos produzidos com materiais reciclados, feitos para durar ou para serem reaproveitados. Neste sentido, na Silicup você encontra produtos que substituem materiais descartáveis e também cordões e pulseiras produzidos com resíduos têxteis.

As indústrias que recolhem os resíduos de seus produtos, como embalagens, e aproveitam novamente na produção são outro exemplo. Além disso, há no mercado tecidos, roupas, acessórios e calçados produzidos a partir de diferentes tipos de resíduos. Iniciativas que estimulam a revenda e consertos também se encaixam na Economia Circular. Até serviços de streaming são considerados exemplos desse modelo, já que reduziram a necessidade de produção e consumo das mídias físicas, como DVDs e CDs.

Os consumidores também estão mais atentos. Outro levantamento da CNI mostra que 38% dos entrevistados sempre verificam ou verificam às vezes se os produtos foram produzidos de forma ambientalmente correta. Ainda assim, alguns obstáculos ainda existem para a economia circular, como políticas públicas, linhas de financiamento e falta de tecnologia disponível.  No entanto, os consumidores também têm um grande papel, podendo escolher artigos duráveis, utilizar mais os produtos, reutilizar, reaproveitar, consertar, vender ou doar ao invés de descartar rapidamente.

Fontes: Portal da Indústria; Economia Circular: Caminho Estratégico Para A Indústria Brasileira da Confederação Nacional Da Indústria (Confederação Nacional Da Indústria – CNI); Revista Época; Portal ECO.NOMIA (Ministério do Ambiente de Portugal).

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