Greenwashing: saiba o que é e como identificar

Você já ouviu falar em greenwashing? Descubra no artigo de hoje o que é essa prática e como podemos fugir dela.

O que é greenwashing?

Diante de todas as questões e preocupações que envolvem o meio ambiente, muitas pessoas têm procurado mudar algumas posturas e práticas, para que, em alguma medida, os danos causados ao planeta possam ser contidos. Não por acaso, recentemente, uma pesquisa divulgada pela Nielsen apontou que os brasileiros estão cada vez mais sustentáveis e conscientes

Segundo os dados, 65 % dos entrevistados não consomem produtos de empresas que já foram ligadas ao trabalho escravo, já em relação aos testes em animais, 58% disseram que não compram esse tipo de mercadoria. Além disso, o brasileiro passou a estar mais atento aos rótulos, 30% afirmam que procuram saber sobre os ingredientes que fazem parte de um produto. E, por fim, 42% estão mudando seus hábitos de consumo para impactar menos o meio ambiente. 

Tendo no horizonte essa mudança de postura da população, diversos tipos de instituições como indústria, governo e empresa, com objetivo de melhorar sua imagem e reputação, apropriam-se do discurso sustentável e passam a “maquiar” seus produtos para que pareçam aliados à causa ambiental.

Estratégias de marketing são, então, arquitetadas e no processo de divulgação de um produto, por exemplo, evoca-se a questão sustentabilidade, garante-se que ele é amigo do meio ambiente. No entanto, se esse mesmo produto for analisado de uma forma ampla e profunda, veremos que a preocupação ambiental ela é meramente ilustrativa e as ações praticadas pela instituição, na verdade, não são nada ecológicas.

Desse modo, a dinâmica de mencionar aspectos socioambientais de maneira falsa,  equivocada ou superficial com objetivo de atrair público é conhecida como greenwashing que em uma tradução livre significa lavagem verde, porém hoje também temos outros termos atribuídos à prática como: maquiagem verde e mentira verde. 

O Panorama do greenwashing no Brasil

O IDEC ( Instituto de Defesa do Consumidor) realizou, recentemente, um grande estudo acerca do cenário do greenwashing no Brasil. A pesquisa foi feita entre os anos de 2018 e 2019 e analisou alguns segmentos de produtos como: os de limpeza, os de higiene, cosméticos e utilitários domésticos. 

Foram avaliados 509 produtos que continham algum tipo de declaração sócio ambiental.

E dessa análise, o panorama geral mostrou que 37% dos produtos de higiene e cosméticos comentem greenwashing, já nos produtos de limpeza essa prática ocorreu em 66% e aqueles que mais se utilizam do greenwashing: os utilitários, foi constatado o número de 75%

O IDEC apontou também um dado bem preocupante: dentre os 243 produtos/marcas em que foi identificado o greenwashing, apenas 22 se comprometeram a adequar devidamente seus rótulos. 

Oleg Magni/Pexels

Fique atento(a), não se deixe enganar

Ainda no estudo realizado pelo IDEC foram pontuados os critérios de avaliação e de observação para indicar se ocorreu ou não a prática de greenwashing. 

E a partir deles, nós também podemos ter esse parâmetro para avaliar os produtos que temos consumido 

Tais parâmetros são conhecidos como os 7 pecados do greenwashing, portanto, fique atento(a) a eles

Falta de provas: Quando dada uma informação de cunho ambiental, a sua veracidade não pode ser comprovada facilmente e/ou não há certificações de terceiros. 
Troca Oculta: Afirma-se que o produto é ambientalmente correto levando em consideração apenas um dos processos de uma cadeia produtiva. Como o exemplo dado no relatório do IDEC: o papel higiênico. A sua matéria prima pode ter sido recolhida em uma floresta sustentável, mas as etapas para sua fabricação de alguma forma causam danos ao meio ambiente, seja por liberação de gases que causam o efeito estufa ou seja pela utilização cloro no processo de branqueamento do papel. 

Vagueza e Imprecisão:  Utilização de termos genéricos, como “Todo Natural” – isso é amplo e pode ter diversos significados. 

Irrelevância: Um exemplo que pode ser facilmente encontrado, são os produtos que indicam CFC free. A lei já garante que este é um produto proibido, portanto, inserir essa informação só reforça que a empresa cumpre a legislação,  mas não que ela é necessariamente engajada ambientalmente como muitas fazem parecer ao apelar para isso.  

Menor dos Males: Prática geralmente feita na promoção de produtos que impactam severamente o meio ambiente, como por exemplo o carro esportivo que consome menos combustível, ou ainda o cigarro orgânico. Ou seja, na sua dinâmica de funcionamento ou a composição do produto pode ser um pouco menos danosa que a de seus concorrentes, contudo, ainda são produtos muito prejudiciais.  

Lorota: O apelo ambiental totalmente falso.

Falsos rótulos: Prática que utiliza de imagens ou selos que recorrem ao aspecto socioambiental para dar uma impressão de credibilidade, mas que na verdade são falsas. Saiba aqui quais são as certificações corretas que devemos procurar ao adquirir qualquer produto.

Sendo assim, em síntese, desconfie de afirmações não comprovadas e/ou vagas. Perceba se a informação sobre produtos que se dizem ecológicos faz referência a toda cadeia produtiva ou de apenas um processo. Não se deixe levar por imagens que simplesmente remetem à natureza e conheça os selos corretos de certificações independentes.  

E ao encontrar algum produto que gere dúvidas, lembre-se você pode recorrer ao SAC da empresa para saná-las. 

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