Países se unem para controlar poluição por plástico

Um tratado global para lidar com resíduos plásticos está ganhando apoio crescente. Segundo publicação do National Geographic Brasil, pelo menos 100 países já demonstraram concordar com um tratado internacional semelhante ao protocolo de Montreal de 1987 que evitou o esgotamento do ozônio estratosférico.

Hugo-Maria Schally, chefe da unidade de cooperação ambiental multilateral da Comissão Europeia esclarece que este é um problema concreto, que exige uma solução concreta, e um acordo global providenciará isso.

Novos resíduos plásticos são produzidos anualmente a uma taxa de 303 milhões de toneladas. Até o momento, 75% de todo o plástico já produzido se tornaram resíduo e a produção deve triplicar até 2050. Um novo estudo realizado este ano sugere que o acúmulo de resíduos plásticos nos oceanos também deve triplicar até 2040, em uma média de 32 milhões de toneladas por ano.

A poluição por plástico está em pauta nas Nações Unidas desde 2012. Em 2019, na última reunião presencial da Assembleia Ambiental da ONU em Nairóbi, as negociações sobre resíduos plásticos foram dificultadas principalmente pelos Estados Unidos, que se opuseram a um tratado vinculativo. O único acordo ao qual se chegou foi o de continuar com as negociações.

A National Geographic Brasil esclarece que em meio a este cenário, as negociações preliminares para um tratado internacional já estão em andamento, todas voltadas para a próxima reunião presencial em Nairóbi, na qual há grandes esperanças de que seja possível chegar a um acordo para prosseguir com as discussões do tratado.

O objetivo geral das primeiras negociações foi definir uma data limite para eliminação dos plásticos descartados nos oceanos. O restante da pauta está centrado em quatro tópicos, um conjunto congruente de definições e padrões que eliminaria inconsistências: a definição do que é uma sacola plástica; coordenação de metas e planos nacionais; acordo sobre padrões e metodologias de relatório; e criação de um fundo para construção de instalações de gestão de resíduos em locais de maior necessidade em países menos desenvolvidos.

Christina Dixon, oceanógrafa da Agência de Investigação Ambiental, uma organização ambiental sem fins lucrativos com sede em Londres e Washington, salienta que os métodos existentes para gerenciar o mercado de plástico não são sustentáveis. “Precisamos encontrar uma maneira de abordar o problema do plástico através de uma visão global. Temos um material que polui ao longo de todo o seu ciclo de vida e em diversos países. Nenhum país é capaz de enfrentar o desafio sozinho.”

A poluição por plástico é uma das três preocupações ambientais mais prementes, junto com as mudanças climáticas e a poluição da água, de acordo com uma pesquisa de 2019 incluída no relatório do Estudo de Caso de Negócios para um Tratado da ONU. Jovens ativistas que foram às ruas em 2019 para protestar contra a falta de medidas referentes a mudanças climáticas também têm se interessado pelo problema de resíduos plásticos. Diversos estudos do setor mostram que as Gerações Z e Y estão pressionando os fabricantes de bens de consumo a aderir práticas de sustentabilidade.

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