Plástico: um problema mais que ambiental

Uma pessoa de pele clara levanta em seu dedo indicador e médio alguns pedaços de plástico de formatos, tamanhos e cores variadas. Ao fundo, pode-se ver uma quantidade incalculável desses fragmentos de plástico.

Não só um problema para o meio ambiente, o plástico pode trazer inúmeros problemas para a sua saúde.

Escrito por João Pedro Varal Tartari

A excessiva produção dos produtos plásticos e seu rápido consumo sempre foram considerados a um problema ambiental, que não afeta a sociedade. Essa ideia, além de negar a relação direta entre a natureza e a humanidade, prova-se profundamente errada a partir da análise dos compostos que formam o material e seus efeitos sobre nossos corpos.

Pode-se destacar duas principais substâncias que são liberados com o aquecimento da resina plástica: o estireno e o bisfenol.

Presente em copos de café e embalagens de isopor, o primeiro pode causar câncer se for ingerido em grandes quantidades e por longos períodos de tempo. E que maneira mais discreta e prejudicial de fazer isso do que através de um copinho de café?

A página 25 do projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ciência para Todos explica como isso acontece de uma maneira simples:

Uma pesquisa realizada na UFMG mostrou que o estireno pode também ser liberado para líquidos quentes, quando colocados em copos descartáveis. A quantidade de estireno liberada aumenta de acordo com o tempo que o líquido permanece no copo. É por isso que, em vários países, o uso do copo de poliestireno para servir café, por exemplo, é proibido.

Zenilda Lourdes Cardeal (no texto do projeto Ciência para Todos)

O não é nem um pouco melhor. Parte de um grupo de compostos bastante utilizado na produção de produtos plásticos, os bisfenóis (que podem ser BPA, BPS e BPF) mexem com o sistema endócrino, causando desequilíbrios hormonais, infertilidade e mesmo o câncer.

E não para por aí. Em entrevista à revista Veja Saúde, a nutricionista Andreia Friques comentou que a ingestão da substância pode trazer problemas ao sistema cardiovascular. Baseada em suas pesquisas sobre o assunto, ela explica que “O BPA age aumentando o estresse oxidativo no corpo. Essa reação de desequilíbrio pode aumentar por outros motivos, como presença de doenças, exposição a poluição…”

Ela ainda explica que o bisfenol A é extremamente prejudicial para crianças. Ao ser questionada se existe um período em que o ser humano está mais vulnerável a esses efeitos nocivos, a pesquisadora explicou que “os primeiros 1 100 dias da criança, que compreendem da fecundação até os 2 anos de idade. É que tudo que acontece nesse período pode determinar a saúde para o resto da vida.”

Para prevenir a exposição, ela recomenda substituir o material sempre que possível: “Vale pensar se precisamos mesmo daquele plástico antes de usar.” Acontece que isso pode ser um pouco mais difícil do que parece…

Plástico para todo o lado

Com o passar do tempo, a exposição do plástico ao meio ambiente faz com que ele se degrade. Devido à sua demorada decomposição (que chega a levar mais de 400 anos) e à sua versatilidade, o material começa a sofrer uma quebra das unidades moleculares que o formam.

Essa fragmentação acontece, principalmente, quando algum dos produtos feitos com o plástico é exposto a um ambiente aquático, como um rio, mar ou oceano. O constante choque da resina com a água faz com que ela se divida em inúmeros pedaços, muitos com tamanho inferior a 5 mm.

Esses são chamados de microplásticos: pedacinhos minúsculos de plástico que se integram no ciclo da água e se espalham para os mais diversos locais do planeta. Entre esses locais, estão tanto o prato do seu almoço, quanto o ar que você respira. Ou seja, basicamente tudo o que você consome está contaminado com esses fragmentos.

Levando em conta que, segundo estimativas compartilhadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), os Oceanos terão mais plásticos que peixes. Consequentemente, a quantidade de microplásticos integrando ciclos da água tende a aumentar ainda mais.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ainda explicou que a quantidade dessas partículas nos oceanos “superam as estrelas de nossa galáxia”, reforçando que, anualmente, “mais de 8 milhões de toneladas [de resíduos plásticos] acabam nos oceanos”.

António Guterres, antigo primeiro-ministro português, foi eleito secretário-geral das Nações Unidas em 2016. – Foto: Jean-Marc Ferré.

Ele é apoiado por um estudo conduzido pela PhD em oceanografia biológica, Jennifer Brandon, que constatou que a concentração de “mini-microplásticos” (de tamanho menor que 333 micrômetros) na água salgada seria de cinco a sete vezes maiores que a de microplásticos em si.

Ou seja, para que esse problema não tome proporções ainda mais catastróficas, é necessário que se reduzir depressa o consumo de plástico a nível global.

Foto da capa: Florida Sea Grant

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